O período de intertemporada no Sport Club do Recife está sendo aproveitado para intensificar os cuidados científicos e mapear as condições físicas dos atletas das categorias de base. Nos bastidores do Centro de Treinamento José de Andrade Médicis, o departamento de fisiologia do clube comanda um rigoroso processo de avaliação, garantindo que o desenvolvimento dos jovens talentos seja monitorado com o que há de mais moderno na ciência do esporte.
Antes do início das baterias de testes, a parceria estratégica com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tem sido o grande diferencial para a precisão dos dados. O Leão conta com suporte científico de ponta e equipamentos de última geração viabilizados pelo Grupo de Pesquisa em Estudos do Cineantropometria, Desempenho e Treinamento Esportivo (GPECIT), coordenado pelo Prof. Dr. Rafael dos Santos Henrique, o que eleva o nível do diagnóstico institucional.
O vice-presidente de futebol de base do Sport, George Queirós, destacou que o investimento em tecnologia e processos integrados reflete a visão estratégica do clube para o futuro.
“A nossa gestão enxerga a base como o principal patrimônio do Sport. Investir nessas parcerias e em equipamentos de ponta para a fisiologia é dar aos nossos profissionais as ferramentas necessárias para desenvolver atletas de excelência. Queremos que o Sport continue sendo referência nacional na revelação de talentos, e isso só se constrói com uma base forte, moderna e cientificamente amparada”, afirmou George Queirós.
Para o executivo de futebol de base, Felipe Sitônio, a realização desse protocolo unificado durante a intertemporada é um pilar crucial na transição dos atletas entre as categorias.
“O grande diferencial desse trabalho é a padronização. Avaliar do Sub-13 ao Sub-20 sob o mesmo critério nos dá um banco de dados valioso para acompanhar o histórico de evolução de cada menino que passa por aqui. Aproveitar esse recesso de jogos para fazer esse mapeamento detalhado garante que as comissões técnicas tenham em mãos relatórios precisos para ajustar as cargas de treino, diminuindo o risco de lesões e acelerando o processo de transição para o profissional”, pontuou Felipe Sitônio.
O fisiologista das categorias de base do Sport, João Vitor, explicou o objetivo principal de submeter todos os atletas a essa rotina de testes.
“Esse protocolo unificado nos dá o lastro científico necessário para trabalhar a individualidade de cada jogador. Avaliando desde a composição corporal até a potência neuromuscular, nós conseguimos entender as carências e as virtudes físicas de cada um, gerando dados precisos para as comissões técnicas”, destacou João Vitor.
O Protocolo de Avaliação:
Etapa 1 (Composição Corporal, Avaliação Maturacional e Perfil Neuromuscular): Análise de peso, estatura e percentual de gordura via adipometria e balança de bioimpedância. Nesta fase, também é realizada a avaliação maturacional para estimar o estágio de maturação de cada atleta e priorizar a individualização do treinamento de força. Na sequência, são feitos os testes de salto na plataforma de contato do GPECIT para traçar o perfil neuromuscular.
Etapa 2 (Velocidade e Mudança de Direção): Uso de fotocélulas e tecnologia de ponta desenvolvida com a universidade para mensurar a velocidade máxima (km/h) e a capacidade de aceleração de forma precisa, além de mapear a eficiência do atleta nas mudanças de direção obrigatórias do jogo.
Etapa 3 (Capacidade de Resistência): Aplicação do teste intermitente 30-15 IFT, específico para o futebol, que ajuda a estimar a capacidade aeróbica, de recuperação e o VO2 máximo de cada jogador.
Ao final do ciclo de testes, os dados coletados servem como base estrutural para a evolução de performance e prevenção de lesões a longo prazo de forma individualizada.
“Com a análise completa desses dados, conseguimos traçar o perfil físico dos atletas de todas as categorias, estabelecer cada estágio que os atletas estão e consequentemente individualizar de forma ainda mais eficiente o estímulo dado no treino. O resultado desse tipo de avaliação é uma promoção de performance segura, conseguindo diminuir a ocorrência de lesões”, finalizou o fisiologista João Vitor.
