Futsal, campo, títulos e histórias: A trajetória de Zé Lucas no Sport

27 de julho de 2026

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Sorriso solto e bom trato com todos. Além do campo, Zé Lucas deixou grande impressão também no cotidiano do Leão. (Foto: Paulo Paiva/SCR)

Dez anos não são dez dias. E dentro deste período, que estabelece o hiato do que chamamos de década, muitas histórias podem ser feitas. No caso de Zé Lucas com o Sport foi justamente isso que aconteceu. Uma trajetória que pode ser enxergada como curta para quem acompanha o futebol profissional do Clube, mas que passou longe, bem longe disso. É longa, bonita e com muitas nuances.

A primeira delas, no futsal, aos oito anos de idade. Luquinhas, o menino criado no Engenho do Meio, falava que queria ser jogador de futebol, mas a realidade naquele momento ainda era distante. Muitas águas tinham que passar por uma ponte que começou no futsal do Leão.

Em seu último dia no CT antes de viajar para BH, Zé Lucas se despediu dos funcionários. (Foto: Paulo Paiva/SCR)

“Era o segundo semestre de 2016 e o Zé Lucas, Luquinhas naqueles tempos, chegou para fazer teste através de um pai que tinha um filho que jogava conosco e trouxe ele junto. No segundo treino, o Pipa (Felipe Portela, treinador da categoria na época) o aprovou de cara”, declarou Bruno Barbosa, atual treinador do Sub-11 do futsal leonino e que treinou Zé Lucas dos 10 aos 13 anos, justamente na migração do garoto ao campo.

No futsal, Zé Lucas colecionou títulos e grandes momentos. Fez gols em finais de Campeonatos locais, brilhou com prêmios individuais de diversos torneios e levantou troféus nacionais de expressão, como a tradicional Taça Brasil. Com 15 anos, era protagonista no Sub-17. Com 11, no Sub-13, com 13, no Sub-15.

“Sempre foi o meu capitão. Um líder tímido, que chegou devagarinho, mas se transformou. O esporte e a vida se misturam, e quando recebemos atletas nessa faixa de idade, vamos observando as mudanças, crescimento, personalidade. Além do aspecto técnico, o Zé Lucas sempre foi diferenciado de uma forma humana”, afirmou Bruno.

Bruno Barbosa e a sua esposa com Zé Lucas, já colecionando troféus e medalhas no futsal. (Foto: arquivo pessoal)

O pontapé inicial no campo se deu depois que o Sport começou a quantificar a sua Categoria de Base também com categorias menores, unindo o futsal aos gramados, periodizando treinos semanais aos garotos pelo menos duas vezes na semana. Hoje coordenador da base rubro-negra, Felipe China foi um dos idealizadores do projeto que potencializou Zé Lucas.

“A história do Sport no futsal é muito forte, com grandes jogadores tendo passado por aqui. Alguns que seguiram carreira no próprio futsal, em clubes gigantes do mundo, e outros que acabaram no campo, como o Pedro Lima e o Zé Lucas. Temos o caso do Matheus Cunha, que atuou na última Copa do Mundo e jogou futsal aqui, mas não havia a transição para o campo na época. O Zé Lucas era desde já um atleta que apontávamos projeção de chegar ao profissional e as coisas aconteceram de um modo bem positivo”, evidenciou China.

Zé Lucas e Felipe China, que coordenou o projeto de integração do futsal com campo. (Foto: Paulo Paiva/SCR)

Justamente no dia do pontapé inicial do projeto futsal-campo com as categorias de iniciação, em 14 de julho de 2021, Zé Lucas foi o escolhido para falar e ser o personagem da novidade. Treinando no Campo Auxiliar, ele não pensou duas vezes em falar qual era o seu sonho: ergueu a cabeça e apontou para o alto, ao lado dele, estava a Ilha do Retiro. “Meu sonho é jogar ali”. Sucinto, o desejo tornou-se destino quatro anos depois.

Negociado no último sábado com o Cruzeiro, Zé Lucas, que chegou como Luquinhas, deixa um legado de dezenas de troféus pelo Leão, tanto no futsal, quanto na base. Medalhas diversas, jornadas inesquecíveis, como o gol do título nos últimos segundos, na Copa Pernambuco Sub-11. Na já mencionada Taça Brasil, a final conquistada contou com outros dois gols do meio-campista capitão do Brasil na última Copa do Mundo Sub-17.

Mas foi no Profissional do Clube que o as páginas ganharam letras garrafais e puderam ser lidas definitivamente. Juntando tudo que foi construído dentro do Sport, na equipe principal Zé atuou em 57 partidas e foi bicampeão pernambucano. Barba, cabelo e bigode. Um marco que também virou tatuagem em sua vida.

“Foram dez anos aqui. Um bom tempo da minha vida tendo a camisa do Clube como segunda pele. O Sport me abriu as portas e me formou, a gratidão e a instituição estarão para sempre guardadas no meu coração”, declarou, no último dia depois de mais de outros três mil e seiscentos como atleta rubro-negro.

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