Parece que o tempo não passa quando se trata da eternidade. Há dez anos, uma notícia deixava todos os rubro-negros em extrema tristeza, daquelas que o nó na garganta e a lágrima nos olhos apareceram de maneira tão automática e natural. Despercebidas da mesma forma que o tempo a passar. Parece que foi ontem. Ou simplesmente parece que nem parece que aconteceu. Ídolo do Leão, Leonardo deixava o mundo físico para passar a existir no mundo encantado do amor e da memória.
Eterno camisa 7 do Sport Club do Recife, a palavra amor no dicionário leonino tem oito letras e se chama Leonardo. Um marco, uma bandeira, um ídolo, o trunfo de uma geração de vitórias e grandeza. Leonardo, além de ser Leonardo, era o Sport. Em campo, feroz; fora dele, autêntico, de uma forma que todo mundo define, mesmo sem encontrar todas as palavras certas para defini-lo. Afinal, a perfeição é difícil de ser alcançada. De uma forma sucinta: simplesmente era ele. Léo. Leão.
A geração que o viu desbravar e usar a Ilha do Retiro como palco para tantas vitórias e conquistas guarda o afeto além do normal. Pilhas de rubro-negros nasceram com o nome de Leonardo por causa dele. Todo jogador, seja da base ou de fora, que chega e consegue a rara estima da idolatria, senta na mesma mesa que ele. A mesa de Leonardo. “Mas Leonardo só teve um”, é o que se costuma ouvir também com frequência.
367 jogos oficiais. 136 gols marcados. Sete campeonatos pernambucanos, duas Copas do Nordeste, maior artilheiro em um único jogo de Campeonato Brasileiro com a camisa do Clube: cinco tentos contra o Atlético Mineiro. Convocação para a Seleção Brasileira vestindo a camisa do Leão. Simplesmente Leonardo.

7 do 7
O número 7. Sete de julho de 1992. Ou, na escritura de algum caderno escolar na mão de um adolescente da época copiando do quadro em uma sala de aula: 07/07. A data marcava o encontro entre o poderoso Fluminense e o modesto Picos do Piauí, em duelo pela copa do Brasil daquele ano. O Fluminense tinha o favoritismo, jogadores famosos e a maioria da torcida no Estádio Albertão. Mas o time piauiense tinha o seu camisa 7.
Depois de sair na frente do placar aos 5 minutos, no que parecia transformar a teoria em prática, o time carioca começou a tremer por um baixinho tímido, com a camisa quase batendo nos joelhos, mas endiabrado. O Picos, amedrontado pelo gol, bateu o centro e buscou Leonardo. Ainda no grande círculo, o jogador puxou a bola para o lado direito, fez fila e tabelou. O lance seguiu até a área, onde ele recebeu novamente, deixou o zagueiro no chão e encontrou as redes em uma finalização daquelas. Daquelas.
A jogada de Leonardo, culminada em gol, foi o limite para o Fluminense, que começou a cercar o baixinho e marcar pesado. Inúmeras faltas, que não impediram o segundo gol dele na partida: de forma mais simples, aparecendo no segundo pau para completar. Mais experientes e fortes fisicamente, os cariocas voltariam ao Rio de Janeiro com a vitória no final, mas o impacto do camisa 7 já estava marcado.
Distante de todo o cenário relatado, a torcida do Sport, que havia visto o time jogar dois dias antes contra o Palmeiras, não sabia que, daquele despercebido jogo em Teresina, uma linda história de amor começaria a ser escrita. O baixinho do Picos estava na boca do povo. E no radar do Leão.
“Aquele jogo contra o Fluminense levantou o interesse de tudo quanto é time em Leonardo. O passe dele foi disputado, até aqui no Recife, com o Santa Cruz também indo muito forte atrás. O Sport conseguiu chegar na frente e contratá-lo, foi o início de tudo”, disse o historiador do Leão, Ewerson Vasconcelos, que também mostra o primeiro contrato de Leonardo com o Clube.

Personagem do início deixou de ter Leonardo como algoz e virou companheiro
Campeão Pernambucano e da Copa do Nordeste pelo Sport, jogando com Leonardo, o goleiro Jefferson também está na história do Leão de um modo muito positivo. Curiosamente, o arqueiro era o camisa 1 do Fluminense nos jogos contra o Picos. Entre lembranças de mais de 30 anos, brinca com o roteiro daquele jogo.
“Era um time muito rápido, lembro que levamos dois gols ainda no início. O nosso treinador, o Arthur Bernardes, estava maluco no vestiário durante o intervalo. Ficamos surpresos com o Picos naquele dia e naturalmente com o Leonardo, que fez um jogo incrível. Tanto que, acabou indo para o Sport logo depois”, disse o ex-goleiro, que também recorda o ano de ouro vestindo a camisa rubro-negra.
“Por curiosidade, reencontrei o Leonardo justamente no Sport, naquele ano de 1994, em que ganhamos tudo e tínhamos um belo time, com jogadores que fizeram história no Clube. Foi uma temporada muito especial, o Leonardo tinha o jeito dele, quieto, era mais íntimo aos jogadores da sua idade, mas existia uma relação de muito respeito. Daquele time, o Juninho virou o Juninho Pernambucano e o Leonardo virou o Leonardo do Sport. Entre tantos nomes incríveis, estes dois realmente ficaram marcados”.

DNA de Leão: Filha hoje trabalha no Departamento de Futebol rubro-negro
A nutricionista Pâmela Ferreira é filha de Leonardo e trabalha no Departamento de Futebol do Sport desde janeiro de 2025. Fora das quatro linhas, faz um trabalho elogiado por todos os profissionais que passam no Clube, sendo ao mesmo tempo que um bonito acaso do destino, também a continuação do legado do pai dentro da Ilha do Retiro.
“O Sport representa muito para mim e para minha família. É, por exemplo, o motivo de estarmos no Recife. O meu pai jogava em outros clubes, mas no final sempre retornava, sendo uma casa que realmente se sentia abraçado e também fazia questão de abraçar. Adotamos Recife e construímos uma vida aqui e o motivo disso é um só: o Sport”, declarou Pâmela, que entre os deveres do seu trabalho, ofereceu um pouco do seu tempo para falar sobre uma relação que vai além do sangue.
Hoje adulta, a época de criança e a memória afetiva têm na Ilha do Retiro um lugar de boas lembranças e uma nostalgia de um tempo que passou, mas que está fotografado na mente e no coração.
“Eu já fui o que o Barletinha é hoje, correndo pela Ilha, nos vestiários, campo. Foi uma fase muito especial, que guardo grandes recordações. A primeira lembrança que tenho é de uma piscina de gelo que havia no vestiário, que o meu pai, com uma sunga branca, ficava no tratamento e eu costumava nadar ao redor. Também tenho forte recordação com o campo auxiliar, de ir correndo, invadindo os treinos para ganhar Gatorade do Mema. Na época era dado no saquinho”, disse aos risos, em uma nuance de fragmento entre aqueles tempos e os dias atuais.

“Quando olho para o campo da Ilha consigo ver meu pai correndo lá”
Trabalhar na Ilha do Retiro e no Sport é um liquidificador de sensações para Pâmela Ferreira. Foram tantos momentos, que nem ela consegue dimensionar as épocas de tudo, mas recorda com clareza detalhes que fazem a memória de Leonardo continuar mais viva do que nunca no Estádio Rubro-Negro.
“Teve um dia, que não lembro de verdade se foi a conquista de um título ou uma grande vitória com gol dele, que a torcida em festa foi para a frente do vestiário, gritar pelo meu pai. Minha mãe me deixou com um segurança, que me levou para ele através da grade. Eu sem entender nada fiquei chorando, mas o povo estava ali, em completa euforia. Essas memórias são muito vivas, reais para mim. Eu olho para a Ilha do Retiro e fico revendo o meu pai correndo com a camisa do Sport, com as mangas passando dos cotovelos e os braços parecendo bem pequenos. É uma memória muito clara”.

Sempre de olho no Sport
Depois de Picos, a Ilha do Retiro virou casa, mas Leonardo também teve uma carreira consolidada vestindo outras grandes camisas do futebol nacional. Seleção Brasileira, Corinthians, Palmeiras, Vasco, Cruzeiro. Também atuou fora do país, em Portugal. Pâmela, sua irmã Tâmara e sua mãe Nilce o seguiam de perto, sem perder o Sport do radar.
“Estivemos com meu pai em absolutamente tudo. Durante a carreira dele fomos para todos os estados que ele foi, moramos em Portugal, um lugar que ele gostou muito e sempre elogiou bastante. Mas sem perder o Sport do radar. Ele gostava de acompanhar, saber como o time estava e ficava muito feliz com as vitórias. Em 2004, ele estava em um excelente momento da vida na Europa, mas quis voltar ao Brasil simplesmente porque era um convite do Sport”, lembrou Pâmela, mencionando a última passagem de Leonardo enquanto atleta na Ilha, quatro anos depois de sua saída.

“Ele gostava de falar dos clássicos contra o Santa Cruz”
Como bom boleiro que era, Leonardo não fugia á regra e gostava da resenha com suas histórias na bola. Ao meio de tantos episódios, causos, um assunto que volta e meia aparecia nas rodas de conversas eram os clássicos contra o Santa Cruz, tão eternizados em sua trajetória no Leão.
“Meu pai contava várias histórias, sempre com brilho nos olhos. Mas uma que ele gostava de falar era a dos clássicos contra o Santa Cruz. A da estreia de Mancuso, do jogo que lembram até hoje, ele diz que deu uma caneta que a própria torcida do Santa vibrou nas arquibancadas. Também falava muito da do Zé do Carmo arretado com ele. Ele voltava para essas lembranças sempre daquele jeito dele, com riso muito solto e se divertindo em relembrar”, contou Pâmela, repetindo os próprios sorrisos mencionados de Leonardo.

“Nunca deixou de ser o menino que saiu do Piauí”
Leonardo e Sport são sinômimos. Leonardo e Humildade também. Enquanto buscava relatos sobre o ídolo rubro-negro, praticamente todas as palavras subsequentes de cada pessoa perguntada sobre a personalidade do craque correspondia ao seu jeito humilde de ser. Um traço que era pereceptível vendo de longe, mas que foi corroborado por todos, inclusive pela filha.
“Definir meu pai em uma palavra é muito difícil. A vontade é de falar sempre tantas coisas, todas muito boas, mas se for para escolher só uma, eu diria que seria humildade. Era um homem muito humilde, independente de tudo que construiu e fez. Ele nunca deixou de ser o menino que saiu do Piauí“.

“Estar na Ilha do Retiro me arrepia todos os dias”
Trabalhar no Sport é um acaso do destino para Pâmela Ferreira. A profissional tem uma trajetória no futebol, já tendo passado também pelo Náutico. Entre lembranças, energia e muitas histórias, cada vez na Ilha do Retiro é uma mistura de sentimentos para a nutricionista.
“A Ilha, o Sport, tem muito a cara do meu pai. Todas as vezes que chego aqui, agora como funcionárioa do Clube, me arrepio. Fico recordando de entrar e sair do vestiário, de ficar esperando ele, foram muitos momentos. Já passaram dez anos da partida dele e às vezes ainda fico esperando que ele volte, apareça”, relatou, em tom emocionado.
Pâmela também comenta sobre o seu trabalho, com inspiração no que foi a rotina de Leonardo.
“O mundo esportivo era algo que eu sempre quis. Me despertava muitas coisas e curiosidades, porque o meu lar girava em torno da programação do meu pai. Ter um atleta de alta performance dentro de casa é bem diferente, a alimentação, as rotinas. Isso fazia com que eu sempre tivesse um questionamento do porquê todos aqueles cuidados especiais. Sempre quis trabalhar com nutrição do futebol, mas não imaginava chegar ao Sport, via como algo distante. É muito prazeroso estar aqui e mantendo a memória dele viva, também com pessoas que trabalharam com ele, que eu tinha contato quando criança”.

O trabalho realizado por Pâmela Ferreira no Leão
No Sport, Pâmela Ferreira atua diretamente no Departamento do Futebol Profissional. Ela trabalha em conjunto com a também nutricionista, Camila Simonek, e fazem parte do planejamento alimentar dos jogadores, tanto no refeitório do CT do Leão, quanto em viagens, agregando um elo no escopo da saúde e performance dos atletas rubro-negros.
“O futebol de alto rendimento vai bem além das quatro linhas. Envolve uma operação de jogo enorme, estratégia, ciência, individualização, performance. O trabalho aqui no Sport é integrar a nutrição ao contexto real dos atletas, analisando de forma minuciosa todos os detalhes, desde composição corporal, a até coisas do campo também, como a posição que o atleta joga e suas respectivas recuperações. Utilizamos muito a ciência com visor amplo na potencialização do desempenho. O futebol fez parte da minha vida como família, desde o momento na barriga da minha mãe, e agora faz parte comigo como staff“, detalhou.

Um menino franzino que surpreendeu todo mundo
Com uma história profissional de dedicação e exemplo dentro do Sport, o massagista Edson Mema lembra de Leonardo com muito carinho e respeito. Recordar de Léo, o camisa 7 que marcou uma geração e está fincado na página do Clube, é, para Mema, recordar também de um amigo especial.
“Lembro dele chegando, um menino franzino, tímido, que ninguém poderia imaginar que viraria o que virou. Humildade impressionante, uma característica que ele não mudou em momento nenhum. Estou aqui há muitos anos e posso dizer que feito o Leonardo eu nunca vi igual“, afirmou Mema, que fará 44 anos de Sport Club do Recife.

Um furacão que começou a surpreender nos treinos
Mema é uma bandeira do Sport. O profissional chegará aos 44 anos de Clube e acumula muitas histórias sobre tudo. Participou de mais de duas dezenas de títulos e sempre abre um sorriso largo quando é perguntado sobre Leonardo. Principalmente dos primeiros dias do atacante na Ilha.
“Rapaz, é engraçado lembrar. Menino tímido, quieto, quando entrou em campo nos primeiros treinamentos todo mundo que tinha queixo perdeu ele. Parecia um furacão, colocava a bola na frente e ninguém pegava. Uma flecha, todos ficaram bastante admirados e animados com a possibilidade de ter ele em campo”.

“Ele era perfeito”
Rotineiramente sério e de poucas palavras, Mema se sente muito confortável falando sobre Leonardo. Além dos vários elogios ao jogador tecnicamente, o massagista não deixa de mencionar o aspecto humano de Léo.
“O Leonardo era perfeito. É difícil afirmar isso na vida, mas é o que ele era. Humilde, humano. Tinha um jeito incrível de ser. Ajudava todo mundo e apesar da mídia, idolatria, chegada na Seleção, não mudou uma vírgula. Primeiro ele veio de Picos, depois retornou do Vasco, Corinthians e Palmeiras, chegou grandão; e seguia o mesmo dos pés aos cabelos”.

Convocação à Seleção Brasileira foi um momento especial para todos
A demonstração de um desempenho de topo no Leão deu a Leonardo muita idolatria, estima, gols, títulos e também a oportunidade de realizar um grande sonho para qualquer jogador de futebol: representar a Seleção Brasileira. Momento que é lembrado por Mema.
“O Leonardo era muito amigo e querido por todo mundo. Quando chegou a notícia que ele foi convocado o pessoal fez uma surpresa no vestiário, com uma festa bem legal para ele. Foi uma alegria imensa, compartilhada com todos. Daqueles momentos aqui dentro do Sport que eu lembro com bastante carinho”.

O arroz verde na casa de Léo
Entre tantas histórias com Leonardo, Mema guarda uma especial, que o fez ser “perseguido” de modo descontraído por todo elenco rubro-negro durante muito tempo. Isso graças a fofoca do próprio jogador, que não conseguiu deixar em segredo a situação inusitada.
“O Leonardo tinha o jeito dele com todos nós, funcionários. Em um dos dias que me chamou para almoçar na casa dele, a Nilce, que era a esposa, fez um arroz lá diferente, pouco esverdeado, eu falei que não ia comer aquilo de jeito nenhum e caíram na gargalhada. Acabei comendo, mas no dia seguinte a turma do elenco só falava disso e ficaram bom tempo rindo de mim”.

Reencontro de Mema com Pâmela
Tantos anos se passaram e o reencontro com Pâmela foi bastante emotivo. A nutricionista rubro-negra dava trabalho quando era criança e Mema não deixa de lembrar daqueles tempos.
“É muito legal ter a Pâmela aqui conosco. O Leonardo levava ela nos dias de treino lá na Ilha, eu mesmo já cuidei dela e da irmã (Tâmara) várias vezes, duas crianças, com bastante energia, reviravam os vestiários. Ano passado tivemos este reencontro, com ela vindo fazer parte do Departamento de Futebol do Clube. É uma honra”, declarou de forma carinhosa o massagista.

Na casa do ídolo
O jeito Leonardo de ser é quase um mantra. Raro em sua bondade, educação e trato com os outros, os relatos de sua humildade são tão plurais e expressivos quanto os seus gols com a camisa do Sport. Hoje fotógrafo do Leão, Paulo Paiva viveu uma das pautas mais especiais de sua vida na casa do craque.
“Na época trabalhava no Diário de Pernambuco e estávamos fazendo um especial sobre ele. Foi muito marcante, porque presenciei todo o auge, acompanhando tudo o que ele fez em campo de um modo muito próximo. Ir na casa dele e conhecer esse lado mais íntimo foi impressionante, até entrei um pouco nervoso, mas o jeito dele acalmou tudo. Para mim, o material feito naquele dia é histórico, não pude registra-lo em campo, mas registrei ele desta maneira. Um momento ímpar profissionalmente e pessoalmente também”, disse o fotógrafo leonino.

Saudades de um capitão
Outro profissional com histórico de vitórias e conquistas no Clube, o hoje auxiliar Márcio Goiano é mais um que brilha os seus olhos quando o assunto é Leonardo. Juntos, foram campeões, tiveram um período de proximidade e fizeram parte de um contexto que é guardado com carinho no coração dos torcedores do Sport.
“Conheci o Leonardo aqui no Sport, quando cheguei ele estava no Palmeiras e o seu retorno foi muito comemorado na época. Cara humilde fora de campo, mas que se transformava completamente dentro das quatro linhas, sendo crucial nos títulos que conseguimos conquistar. A relação comigo, capitão do time na época, era de muito respeito”.
Durante os raros momentos de folga, na correria que é o futebol, Márcio Goiano lembra de quando os atletas casados do elenco leonino passavam os períodos de lazer juntos com as famílias, tendo uma forte lembrança com a na época pequena Pâmela.
“Em muitos momentos estivemos juntos em família, casa de praia, descanso, o Leonardo sempre presente com a esposa e com as filhas. É muito legal poder olhar a Pâmela hoje, mulher formada, também buscando sua história no futebol. Quando cheguei aqui ela veio falar comigo, recordando imediatamente. Lembro daquele período com muito carinho. O Leonardo contagiava muito, tinha um sorriso fácil, um jeito de ser autêntico que alegrava o ambiente”.

“Ele gostava de brincar”
Leonardo levava a alegria tão autêntica e comentada para dentro de campo. Tímido fora das quatro linhas, o jeito feliz do jogador, que demonstrava esse lado risonho para as pessoas ao redor, também fazia parte do seu futebol, principalmente em jogos grandes.
“O Leonardo era completo. Velocidade, drible, finalização, muitos gols. Nos jogos grandes, clássicos, ele mostrava bastante do que é o DNA do Sport. Um jogo alegre, para cima. Não provacava de modo verbal, mas brincava bastante, com danças, dribles, a torcida enlouquecia e ele se divertia”.

Legado além da bola
Falar sobre Leonardo é misturar o craque dentro de campo encantando-se ainda mais com a pessoa fora dele. Para Márcio Goiano, além da saudade, lembranças, gols e títulos, o maior legado de Leonardo é o fato dele simplesmente ser o que era.
“Não parece que já faz 10 anos. Passou muito rápido e o que fica é a saudade. O Leonardo era simples, com trato bom com as pessoas e que buscava o tempo todo fazer o bem, sendo um homem muito solidário. Além da parte do campo, ele deixou a parte boa da vida enquanto conduta, pregando respeito e bondade. Foi sem dúvida um dos maiores jogadores que eu joguei“, finalizou Márcio.
