Frevo e o Sport, uma relação histórica

14 de fevereiro de 2026

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O Sport não apenas “usa” o frevo; ele respira o ritmo como parte da sua identidade visual e sonora. Por isso, para muitos torcedores, o Sport não é só futebol — é cultura, do mesmo jeito que o frevo não é só música, é alma da cidade.

Diario da Manhã 16 de Abril de 1936

A relação entre o frevo e o Sport Club do Recife é bem profunda — é coisa de identidade cultural mesmo, não só coincidência. Tudo começa no Recife: o ritmo e o clube.

O frevo nasce no fim do século XIX nas ruas do Recife e de Olinda, no dia 09/02/1907, onde teve a primeira menção deste termo no Jornal Pequeno (PE). No aniversário do Sport 13 de maio de 1906, mesma data e mês em que foi criado em 1903 e fundado em 1905, fez uma partida beneficente fantasiados mostrando que desde sempre o carnaval faz parte de nossa essência. No mesmo caldo cultural. Os dois viram símbolos da cidade: um no carnaval, o outro no futebol.

Nosso grito de guerra, o “Cazá, Cazá”, tem o ritimo do frevo e teve sua origem na “Turma Boa”, uma troça carnavalesca dos anos 30 do Recife, que com José de Mello Assumpção, o Zezinho, criou e imortalizou esse que é o “Maior Gurito de Guerra do Mundo” e foi usado pela primeira vez pela torcida e os jogadores, juntos, depois da virada históriaca na partida que sagrou o Sport como campeão Pernambucano de 1938, contra o Náutico nos Aflitos por 4×3, depois de estar perdendo por 3×0 com uma rodada de antecedência, no dia 15/11.

Diario da Manhã – 17.01.1936

Nosso hino também é no ritimo de frevo-canção, e foi composto por Eunitônio Pereira que entre várias canções, sempre reverenciando seu amor pelo Leão da Ilha, fez “Sport uma razão para viver” de 1975. Canção essa que depois com mais estrofes e algumas alterações, em 1998 se tornaria o “Hino Oficial do Sport CLub do Recife”.

“A composição foi finalizada na década de 1990, já que a inicial contava com apenas uma estrofe. Em 1998, foi decidido que seria o hino oficial, homologado pelo Conselho Deliberativo e tudo mais. Mas eu achava que era muito pouco, apenas seis versos. Depois, tive a felicidade de compor o restante, então o hino passou a ter quatro estrofes. Mas o ritmo sempre foi o mesmo, que é um ritmo característico do nosso estado”, conta Eunitônio ao site do Diario de Pernambuco em 17/02/2023.

Várias composições de grandes maestros e autores durante anos fez o Sport ser proclamado e cantado por gerações e gerações de apaixonados pelo Leão do Norte. Dentre vários podemos citar: Sebastião Lopes, Nelson Ferreira, Rogério Andrade, Renato Barros, Gildo Moreno Filho, Walter de Oliveira, Lula Queiroga, Joel H. de Mello R. Assumpção.

Ewerson Vasconcelos

Texto: Ewerson Vasconcelos, museólogo do Sport Club do Recife. Inicialmente fez parte da comissão histórica da petição da unificação do título de 1968,depois ingressou no Clube desde Abril de 2024 como o guardião da sala de troféus do Maior do Nordeste.

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