Autistas da Ilha, um processo de inclusão que vem da paixão pelo Sport

2 de abril de 2026

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Divulgação: Autistas da Ilha

Em plena pandemia, um grupo de pessoas que conviviam com um processo muito comum em diversas famílias espalhadas pelo mundo, no Recife, decidiram se unir e compartilhar o amor pelo Sport Club do Recife. A história parece ser bem comum, e é. No entanto, um detalhe nessas pessoas é um ponto importante nesse dia 2 de abril: pais de filhos autistas. Assim, esse movimento que saiu de casa e foi para as arquibancadas do Sport Club do Recife hoje tem nome: Autistas da Ilha.

Neste dia 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o Sport conta a história de um movimento que começou como paixão e hoje é inclusão. Dentre diversos ensinamentos, o Autistas da Ilha reafirma uma mensagem importantíssima de ser corroborada hoje e sempre: a inclusão não deve ser limitada ao dia 2 de abril, para as famílias atípicas que compõem os Autistas da Ilha, a realidade é diária.

Divulgação: Autistas da Ilha

O início

O projeto da Bandeira do Autismo junto ao Sport nasceu em setembro de 2020, em meio aos desafios da pandemia, idealizado por Eduardo Pedrosa. A iniciativa ganhou lastro imediato e um dos impulsionadores dessa força foi o apoio da torcida Gang da Ilha. A torcida, que têm décadas de história nas arquibancadas da Ilha do Retiro, tornou-se a primeira torcida organizada de grande escalão no Brasil a adotar oficialmente essa causa.

A partir dessa união e com o amadurecimento do projeto, Eduardo fundou o movimento Autistas da Ilha, em janeiro de 2023. O fortalecimento da iniciativa coincidiu com sua atuação como conselheiro deliberativo do clube (biênio 23/24), consolidando a representatividade do grupo.

Hoje, com pouco mais de três anos de história, o Autistas da Ilha conta com uma estrutura consistente,  que é composta por um Presidente Fundador e duas Diretoras. O movimento mantém uma presença vibrante e constante nas arquibancadas rubro-negras, reafirmando que o amor pelo clube não conhece barreiras.

A inclusão que vem da paixão vermelha e preta

Divulgação: Autistas da Ilha

O Sport, seguindo um traço forte de sua história: o pioneirismo, mais uma vez capitaneou uma mudança que vem ajudando autistas e seus familiares a partir da participação do Clube e do futebol. 

De acordo com Eduardo Pedrosa, o apoio do Sport à causa é um processo que vai além das quatro linhas. “O Sport está dando passos importantes rumo a uma inclusão ainda maior de pessoas autistas dentro do clube. Acredito que, com o tempo e com o apoio dos próprios torcedores autistas, vamos evoluir juntos e construir um ambiente cada vez mais acolhedor”.

“É importante lembrar que não existem apenas crianças autistas na torcida, também há muitos adultos que fazem parte dessa realidade. Entender isso é essencial para que a inclusão seja completa, respeitando todas as idades e experiências dentro e fora   do campo”, lembrou Eduardo.

“Os Autistas da Ilha representam a força do autista dentro e fora da Ilha do Retiro, mostrando que saímos de um lugar onde não éramos vistos ou reconhecidos para conquistar visibilidade hoje sabem da nossa existência e da nossa força; é importante deixar claro que o autismo não existe só no dia 2 de abril, ele está presente o ano todo, e nós, dos Autistas da Ilha, vivemos essa realidade diariamente, dentro e fora de campo. Levo no peito, com orgulho, a camisa que representa o movimento Autistas da Ilha, mais que uma causa, é identidade, é uma razão para viver”, celebrou Eduardo.

Eduardo Pedrosa – Créditos: Autistas da Ilha

O futebol no processo de inclusão

O futebol é pura magia; um esporte capaz de eternizar momentos e colocar milhares de corações em uma mesma sintonia. Segundo Eduardo, a Ilha do Retiro é mais que um estádio: “é o nosso lar”. “A Ilha pertence a cada torcedor do Sport Club do Recife, esteja ele na arquibancada, tenha ido poucas vezes ou ainda sonhe com o dia de pisar no gramado. O que importa é a batida do coração, que a cada vibração eleva o tom de garra e força do nosso Leão”

“É justamente esse sentimento que move os Autistas da Ilha. Nossa missão é ver as famílias atípicas ocupando o seu lugar de direito: vibrando, torcendo e vivendo a catarse de cada vitória. O pertencimento de um autista no estádio é algo inexplicável. Ver o sorriso de uma criança ou de um adulto acompanhando o nosso Cazá, Cazá, Cazá, seja sob sol ou chuva, é a prova de que ali é o lugar deles. No estádio, o preconceito fica lá fora e o amor transcende”, finalizou Eduardo Pedrosa.

Inclusão, um processo que está em pleno desenvolvimento no Sport Club do Recife

Divulgação: Autistas da Ilha

Dentre as ações prioritárias do Sport, a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é mais que uma pauta que une cidadania, respeito e transformação social, é um processo de troca e pertencimento.

O convívio social que abraça a prática de esportes, em especial do futebol, tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa, acolhedora e diversa. De acordo com Nara Vieira, vice-presidente de inclusão do Sport, esse processo é uma missão também dentro do Leão.

Nara Vieira – Divulgação

“Entendemos que, além de adaptar estruturas, incluir é promover pertencimento e fazer com que todos e todas pessoas entendam a importância de abraçar a causa, e em especial entender que o esporte é para todos e o Sport é de todos.

“O Sport, enquanto Maior do Nordeste, é exemplo e ferramenta de transformação social, tendo o grande compromisso em manter seus portões sempre abertos para a diversidade e, nesse sentido, termos   torcidas de alta representatividade, dentre elas os “Autistas da Ilha” nos enche de orgulho e responsabilidades, pois cabe a nós reverberar a voz de seus integrantes, não só nesse mês de abril, de conscientização do autismo, mas em nosso dia a dia, ultrapassando limites e barreiras em busca da verdadeira inclusão”, finalizou Nara

 

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