Criado pelo Sport: Dedé e o caminho de quem carrega o escudo desde criança até o campo

26 de janeiro de 2026

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Dedé é uma cria do Sport. Um Leão da Base. Foto: Paulo Paiva/SCR

Dedé está no Sport desde os oito anos. Hoje, aos 18, ele conta com mais de uma década carregando no peito o pavilhão de listras pretas e vermelhas com o Leão. Um volante formado dentro de casa, com o DNA rubro-negro, como o Clube gosta de construir.

No caminho, teve quadra, título nacional no futsal e passagem pela Seleção Brasileira de base. Teve, principalmente, um processo: ser criado pelo Sport.

Joga bola desde os quatro anos, mas chegou ao Leão pela primeira vez com seis, porém por um período curto. Em 2014, aos oito, chegou para não sair mais: são 12 temporadas completas na Ilha do Retiro, iniciando agora a sua 13ª com a camisa rubro-negra.

Filho de dois funcionários do futsal, sua relação com a bola pesada não podia ser diferente. Sua mãe Sandra, que até hoje atua no Clube como auxiliar administrativa, e seu pai, também apelidado de Dedé, era jogador das quadras e se tornou treinador, contando com passagens pelo Leão.

Dedé no sub-9 do futsal do Sport enfrentando o Santa Cruz. | Foto: Williams Aguiar
Dedé no sub-9 do futsal do Sport enfrentando o Santa Cruz. | Foto: Williams Aguiar

Desde cedo, ele aprendeu a conviver com a rotina e a exigência de quem cresce dentro do Clube. No futsal, era um jogador de presença ofensiva, com faro de gol e capacidade de decidir: “O que eu lembro do início é que eu era um menino muito diferenciado, que eu sempre joguei categoria acima da minha idade, até os meus 16, 17 anos”, recorda. “E no futsal eu tinha uma característica muito diferente do que eu tenho hoje.”

Apesar de volante nos dias de hoje, Dedé colecionou artilharias durante a formação nas quadras. A mudança de características veio com a transição para o campo e exigiu adaptação, paciência e método no dia a dia. “Mas graças a Deus, com a minha transição, eu pude me adaptar bem e estou aí até hoje”, completa.

A família foi o alicerce que sustentou o caminho, e não apenas por trabalhar no Clube. O pai, com experiência de quadra e vivência como treinador, influenciou desde os primeiros passos. A mãe foi presença constante na logística, no apoio e na persistência. 

“A relação dos meus pais, principalmente com o meu pai, foi muito importante porque ele me influenciou: ele já fazia parte do mundo do futebol, já foi atleta do futsal, já foi treinador e é treinador até hoje em dia”, conta Dedé. “E minha mãe sempre me apoiou, sempre me levava para os treinos, estava ali por mim para o que eu precisava.”

Dedé e sua mãe, Sandra. | Foto: Cecília Prutchansky.

O volante guarda na memória uma imagem que ajuda a explicar a dimensão do sonho. “Teve época que a gente passava pouca dificuldade e ela me levava para os treinos em cima dos ombros, andando”, relembra. “Ela trabalha no Sport há muito tempo, desde que eu voltei para o Clube, aos 8 anos de idade, e meu pai já foi treinador também.”

Dedé foi capitão do Sport nas três primeiras rodadas do Pernambucano 2026. | Foto: Paulo Paiva/SCR

Aos 12 anos, o campo passou a ser a prioridade. A partir dali, Dedé começou a conviver de forma mais direta com a estrutura do CT, com novas exigências físicas e táticas e com um cenário que, para muitos atletas, só existe na televisão. Para ele, era cotidiano e aprendizado.

“Desde os 12 anos eu estou no futebol de campo do Sport e já convivi com muitos atletas de grande nome”, diz. E as referências que cita vão além da admiração: são inspiração de postura e liderança. “Já vi Diego Souza, André Balada… já treinei com o Diego Souza no profissional, na época que ele voltou para o Sport na última passagem dele. Magrão também, eu já vi treinar muito lá pelo CT.”

Ao longo dessa trajetória, a braçadeira se tornou quase um detalhe natural. Dedé foi capitão do Sport em todas as categorias do campo, carregando responsabilidade dentro e fora de jogo, como alguém que entende o peso de representar um escudo que conhece desde criança.

Dedé em ação pelo sub-9 do futsal do Sport. | Foto: Williams Aguiar

No Sport, vencer faz parte da formação. O foco é desenvolver atletas, mas com um princípio claro: crescer competindo em alto nível e se acostumando a buscar títulos. É a ideia de formar vencendo: a mentalidade de entrar em campo para ganhar, sem abrir mão do processo.

Essa cultura também ajudou a moldar Dedé. “Eu aprendi muito cedo o que é vestir o Sport. Quando eu coloco essa camisa, eu penso em quem está na arquibancada, em quem acompanha de longe e em tudo o que esse escudo representa. O Sport sempre entra em campo para ganhar, e eu sinto que eu carrego milhões de torcedores junto comigo”, diz o volante.

Os títulos, por sua vez, funcionam como marcos de uma trajetória construída em etapas. Em 2022, nas quadras, Dedé foi campeão da Taça Brasil sub-16 pelo futsal do Sport – como capitão – em uma campanha que também contou com Pedro Lima. Uma conquista nacional que reforçou, na prática, a ideia de competir para vencer desde cedo.

Dedé, capitão do Sport no título da Taça Brasil sub-16 de Futsal, em 2022. | Foto: Cecília Prutchansky
Dedé e Pedro Lima foram parceiros nas quadras e no campo. | Foto: Cecília Prutchansky

No ano seguinte, veio um capítulo especial na carreira. Em 2023, Dedé e Pedro Lima foram destaques na campanha de semifinalista do Sport na Copa do Brasil sub-17. Rendimento premiado: os dois convocados juntos para a Seleção Brasileira, vestindo a Amarelinha pela primeira vez. 

“Um dos meus momentos mais marcantes nessa trajetória foi quando eu vesti a camisa da Seleção, que é o mais alto nível que a gente pode chegar na nossa profissão, representar a nossa nação no sub-17 foi um sonho realizado”, conta. “Foi num momento em que eu estava em uma evolução muito boa e veio a notícia de que eu poderia representar junto com o Pedro Lima também.”

Dedé vestiu a Amarelinha no sub-17, em 2023.

A experiência na Seleção entrou como validação de um processo que vinha sendo construído há anos. E, ao mesmo tempo, como combustível para continuar crescendo dentro do Clube onde tudo começou.

O outro momento marcante da trajetória também tem endereço certo: a Ilha do Retiro. Dedé não esconde que sempre carregou esse sonho desde menino, e que viver isso com quem acompanhou a caminhada deu um sentido especial. “E também a minha estreia no profissional. Desde os oito anos de idade aqui no clube, eu sempre sonhei em estrear na Ilha do Retiro”, afirma. “E no ano passado eu pude realizar isso dentro da Ilha do Retiro, com a torcida, com minha família e meus amigos.”

Hoje, já integrado à rotina do profissional, Dedé vê o momento como um novo capítulo dentro de uma trajetória que começou cedo no Clube – agora com mais espaço para mostrar o que construiu ao longo dos anos. 

“É uma experiência que todo mundo sonha em viver. Ano passado eu pude ter um pouco, mas agora num momento diferente, num momento onde eu realmente estou tendo oportunidade”, afirma o volante, que também destaca como o ambiente tem ajudado nesse processo de adaptação. 

No dia a dia, ele valoriza o trabalho com o técnico Roger e a liberdade dada para que os jovens consigam desempenhar com confiança. 

“Pretendo aproveitar o trabalho com o Roger. A gente se sente leve, se sente à vontade em treinar, em realizar o nosso trabalho, em demonstrar a nossa qualidade”, diz.

Dedé em campo pelo profissional do Sport no Pernambucano 2026. | Foto: Paulo Paiva/SCR

 “É um cara que dá bastante liberdade pra gente, que faz o trabalho sério, um trabalho onde ele busca sempre o nosso melhor.” Para Dedé, a mensagem do presente é simples e direta: transformar oportunidade em evolução. “Agora é trabalhar e, se Deus quiser, ir alavancando a nossa carreira cada vez mais”, completa.

A história de Dedé é, ao mesmo tempo, simples e rara. Simples porque é feita de rotina, família, repetição e trabalho. Rara porque poucos conseguem atravessar o tempo dentro do mesmo escudo, mudando de quadra para campo, crescendo em responsabilidade e construindo uma identidade que não se improvisa.

No Sport, ele não foi apenas revelado. Foi criado. E segue escrevendo, no campo, uma trajetória que começou quando ainda era criança, e que hoje já carrega mais de uma década de pavilhão rubro-negro no peito.

Dedé é mais um torcedor do Sport dentro de campo. | Foto: Paulo Paiva/SCR

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