Copa do Brasil: 18 anos! Nelsinho Baptista, Sandro Goiano, Leandro Machado, Luciano Henrique, Bia e Diogo relembram conquista

11 de junho de 2026

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11 de junho! 18 anos da conquista da Copa do Brasil! Aniversário de uma das festas mais lindas e gloriosas conquistadas pelo futebol nordestino. Desbravando o país e mostrando a força leonina para todos os lados. Um título que já seria e é expressivo por sua gigante natureza, mas que enraizou de uma forma perfeita o que é o Sport Club do Recife em seu DNA: Resistência, superação, luta e muita vibração.

Ser campeão da Copa do Brasil daquela forma, um feito por sinal inédito no Nordeste até os dias atuais, é uma história que será sempre contada, mas sem nunca se repetir. São várias óticas. Talvez até infinitas, levando em conta a memória afetiva de uma Nação de cerca de quatro milhões de corações apaixonados. E ainda há os personagens. E que personagens!

Mas antes de navegar no que eles têm para nos falar, é bom uma síntese: a Copa do Brasil desejava o Sport. Ser o primeiro e único campeão nordestino não foi um acaso. O Leão sempre entrou na competição como um representante de respeito. Foi vice-campeão em 1989 e mostrou grandeza em outras campanhas, chegando em semifinais até quando atuou na segunda divisão, caso de 2003, por exemplo.

E a verdade é que muito da resistência que envolveu o título de 2008 entra também dentro das camadas de campanhas anteriores. Nas ocasiões relatadas acima, por exemplo, os resultados poderiam ser diferentes em caso de ações corretas da arbitragem em momentos chaves. O respiro fundo do “E se”, sempre mais comum do que deveria.

Considerando a memória afetiva um torcedor crescendo com o amor familiar herdado pelo maior Clube do Norte-Nordeste Brasileiro, o hiato entre 2005 a 2009 foi bem marcante. Após um centenário aquém do desejado, os anos seguintes guardariam grandes histórias. 2006, uma autêntica virada de chave. Novamente campeão pernambucano, acesso. 2007, afirmação, 2008 apoteose. 2009, do seu jeito bipolar de ter sido, o retorno aos palcos da Libertadores da América.

Fragmentar tudo sobre 2008 é o foco natural, mas recordar destes outros anos, sobretudo os dois anteriores a ele, é necessário até para compreender e situar-se completamente de alguns personagens que guardamos dentro do peito: Nelsinho Baptista, Sandro Goiano, Leandro Machado, Bia, Diogo e Luciano Henrique.

Nelsinho Baptista: Determinado como um Leão

10 de dezembro de 2007: Nelsinho foi anunciado de manhã; apresentado no final da tarde.

Lateral-direito na época de jogador, Nelsinho sempre foi um nome de peso no futebol nacional. Seus anos de atleta, principalmente por Ponte Preta, São Paulo e Santos fizeram o seu nome ter um patamar de hierarquia no Brasil. A inteligência dentro das quatro linhas dava todas as dicas de uma carreira na área técnica, o que aconteceu de modo natural em seguida.

Grandes equipes, conquistas, jogadores revelados, histórias. A trajetória de treinador de Nelsinho Baptista foi iniciada em 1985 e ele chegou ao Recife em dezembro de 2007, 22 anos depois, com um legado irreparável. Um nome de peso, experiente, carregando um pouco de dúvidas por alguns meses atribuídos em São Paulo, mas com um know-how que dava garantias de tranquilidade em um Clube reafirmando grandeza no cenário nacional.

Nelsinho Baptista desbravou mercados mundo afora: Chile, Colômbia, Arábia Saudita, idolatria no futebol japonês e as principais camisas dos maiores times brasileiros. O Sport, que entra neste enquadro de clubes gigantes que ele atuou, tornou-se definitivamente o seu único no Nordeste, uma experiência que seria uma novidade para ele em 2008, já experiente e consolidado.

“Me senti muito lisonjeado quando o convite do Sport surgiu para mim. Por já conhecer o Clube como adversário e tê-lo enfrentado em várias ocasiões, tanto no Recife, quanto por outros centros. Era uma equipe com tradição em formar grandes times, e também com um aspecto de torcida aguerrida e um estádio duríssimo de se ganhar, cenários que nos deixaram bem entusiasmados em desenvolver um trabalho. Depois de várias experiências, cheguei ao Nordeste com muita determinação e vontade de trabalhar“, confessou Nelsinho, como primeiro feedback ao chamado rubro-negro.

Um ataque muito bem-sucedido ao mercado

Equilibrado por personalidade, Nelsinho Baptista chegou no Sport com um discurso firme, convincente e muito otimista. O treinador referiu o desejo de guiar o Leão para competições Sul-Americanas, como a própria Copa Sul-Americana e a Libertadores. Não foi em tom de promessa, mas afinal, ele conseguiria.

Para isso, horas de reuniões, conversas, diagnósticos de tudo que seria feito naquele ano foram gastas com imensa simetria em conjunto da diretoria, que ele faz questão de elogiar dentro do processo. Nelsinho valoriza muito a base encontrada, mas enaltece as ações que tornaram-se pertinentes para fortalecer ainda mais aquele time.

“Chegamos no final de 2007, com uma base muito consistente, tendo atletas como Durval, Éverton, Igor, Magrão, Fábio Gomes, César Lucena, Dutra, Carlinhos Bala, Romerito. Um núcleo forte, mas que precisava de mais incremento para os desafios do ano, que era lutar para vencer novamente o Estadual e buscar os objetivos nas competições nacionais. Com paciência, estudo, conversas, foco máximo da diretoria, fomos nos movimentando. Depois de um início de Pernambucano com um time bem jovem, acabamos encorpando bem: Daniel, Leandro Machado, Sandro Goiano, Roger, Luciano Henrique, o Enílton“.

A presença de jovens marcantes

O comandante campeão da Copa do Brasil guarda na memória os passos do planejamento conduzido para o sucesso naquele ano lembrando dos nomes de peso que participou para ajudar trazê-los à Ilha do Retiro. Mas, apesar desta característica, ele teve em seu perfil metodológico um grande trabalho realizado com atletas mais jovens: da base ou da região. Nelsinho deu oportunidade para todos; vários conseguiram aproveitar.

“Conseguimos colocar para o campo alguns atletas que ainda não haviam recebido grandes oportunidades e aproveitamos muitos deles, que corresponderam de um modo bem positivo. O Bia, Kássio, Elias, Diogo, que já vinha bem e jogou aquela final, na última partida, sendo extremamente importante. Foi tudo feito com uma integração muito grande e carinho, visando o melhor para o Sport”, reafirmou.

Consistente, o trabalho de Nelsinho no Sport contou com uma mescla bem interessante entre jovens e experientes. (Foto: Marcos Pastich/Arquivo Folha de Pernambuco).

Marco no futebol nordestino e o Sport no coração

Depois de conquistar o Brasil pelo Sport, ainda no campo de jogo, Nelsinho Baptista falou de legado e do que aquele título representava ao Sport, Pernambuco e ao povo nordestino. 18 anos se passaram, e a conquista continua inédita dentro da região. A representatividade e o orgulho são cristalinas em cada palavra falada pelo ex-técnico leonino.

“Fazer parte desta conquista, ainda a única de um Clube nordestino na Copa do Brasil, foi importantíssimo para todos. Para o Sport, mas também para as nossas vidas e carreiras, elevando em um tom também pessoal e profissional. Aquele grupo de trabalho, os atletas, a nossa torcida. Foi um feito lindo. Sinto saudades e tenho o Sport no coração. De longe, acompanho e torço bastante, é uma camisa que ficou guardada em mim”, finalizou Nelsinho.

Recentemente Nelsinho Baptista anunciou sua aposentadoria na carreira de técnico e foi homenageado pelo Sport. (Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife)

Palavra de ordem do Xerife!

Uma das primeiras imagens de Sandro Goiano com a camisa do Sport. (Foto: Reprodução)

Tido no futebol gaúcho com “Xerife”, o volante Sandro Goiano era um meio-campista bastante conhecido no Brasil, tanto por uma passagem histórica no Paysandu, quanto em seguida, pelo Grêmio, sendo capitão e líder da equipe gaúcha nos três anos que antecederam sua vinda ao Sport, inclusive com um vice-campeonato da Libertadores. Essencial na Copa do Brasil, a negociação do jogador com o Leão foi mantida ao pé de ferro, dada a palavra desde o início e sem margem para novelas, nem mesmo quando a notícia vazou e interessados apareceram.

“Escolhi o Sport com convicção, assinei o pré-contrato e mantive a palavra. Quando negociação vazou realmente existiram movimentos de Clubes como Atlético Mineiro e Corinthians, como se repercutiu na época, mas graças a Deus fiz a escolha certa e a prova foi mais do que dada em relação a isso”, celebra até hoje, ao meio de sorrisos, o volante, que chegava marcando pesado, mas tinha qualidade imensa com a bola nos pés.

“O Nelsinho moldou um ambiente muito favorável”

Contar com tanta experiência deixava Nelsinho Baptista tranquilo para ditar o ritmo do vestiário de uma forma que os seus jogadores tivessem suas próprias rotinas pessoais de um modo bem orgânico. O treinador sabia o nível de profissionalismo que tinha em mãos, e, com alguns nomes jovens despontando, acaba usando a característica do plantel para fomentar um ambiente em que todos pudessem crescer juntos.

“O Nelsinho moldou um ambiente incrível, ele deixava os jogadores mais experientes próximos da turma mais jovem de propósito, induzia essa aproximação mais natural. Existia sempre muita interação, momentos que a gente se reunia mesmo e ficava ali desfrutando o que era defender o Sport. Era muito leve, divertido viver aquilo ali. Um grupo de trabalho fantástico, que reunia um senso de responsabilidade, luta e gana gigantes”.

Cartazes no vestiário

Já lembrado de forma eventual em várias histórias, o duelo contra o Internacional, pelas quartas de final, teve bastante pilha da imprensa do Sul do país. Algo que pessoalmente marcou Sandro Goiano, que usou aquilo como mais um impulso dentro da campanha rumo ao troféu.

“Considero todos os momentos daquela campanha bem marcantes, desde o primeiro jogo, mas aquele jogo contra o Internacional marcou bem. O Nelsinho praticamente não precisou fazer preleção. Ele colocou vários cartazes no vestiário, com as frases ditas sobre nós, atletas que já haviam jogado por lá. Aquilo feriu bastante, mas também fez com que eles provassem o sabor da Ilha do Retiro”.

“Clube que aprendi amar”

Sobre o Sport, Sandro Goiano demonstra um amor recíproco ao que a torcida sente quando o nome dele é falado. Uma passagem que foi simbolizada por um jogador que tinha em seu modo de se portar nas quatro linhas com a identidade mais fiel ao estilo que representa o Clube. Uma sinergia que só poderia ter o desfecho das conquistas alcançadas.

“O maior do Nordeste, Clube que aprendi a amar e respeitar. Levantar esse troféu foi marcante, maravilhoso, um dos melhores momentos na minha carreira. Falei para o Milton Bivar, presidente da época, que iríamos colocar o Sport em uma competição internacional assim que eu cheguei, e até como homenagem, é especial poder falar que tudo foi alcançado. Só gratidão”, encerrou Sandro, vestido de Sport, enquanto mandava as respostas.

Em suas redes sociais, Sandro Goiano costuma mencionar bastante o Sport.

O nome que trouxe calma à torcida

Com currículo internacional, Leandro Machado confirmaria toda esperança depositada nele. (Foto: Reprodução)

Para não variar nem um pouco, e isso é algo que não terá nunca nenhum tipo de variável nem amanhã e nem depois, aqueles dias de dezembro de 2007 e janeiro de 2008 pegavam fogo na Ilha do Retiro em relação as notícias do time. Alguns movimentos deixavam a torcida esperançosa e cheia de expectativa. Nome de peso, Nelsinho Baptista já havia sido anunciado oficialmente semanas depois da saída do também renomado Geninho, que na época migrou para ser o treinador do centenário do Atlético Mineiro em Belo Horizonte.

Existia uma base montada e novamente um treinador pesado, experiente, com grande cartel. Mas e os novos jogadores? Nomes brotavam aos ventos, andava-se as horas e os sites especializados e mais potencializados na época: Terra, UOL, Globo Esporte, Meu Sport, Sportnet, Blog do Torcedor, PE360 Graus não paravam de apontar as suas direções. Os setoristas das rádios, in loco no Clube, traziam mais opções ainda durante o meio do dia e o final da tarde.

No início, como também não é incomum, os primeiros nomes que viriam a ser oficializados tinham mais perfis de atletas chegando ao Sport como grande oportunidade na carreira. Perfil que a torcida aprovava, mas, visando afirmação na elite nacional, esperava e cobrava mais. Principalmente um camisa 9 com bagagem, algo que nos últimos anos um dos rivais acertava sempre em suas apostas e estava mais que na hora de uma par de cal nisso com um nome irrefutável que trouxesse garantias.

Quando o roteiro é esse, as especulações e desejos eram bem cravadas: algum estrangeiro muito conhecido, algum brasileiro com grande carreira, algum jogador que já esteve na Seleção Brasileira, alguma surpresa inesperada que ia soar como bomba no futebol pernambucano. Mas naquela época, de forma efetiva, o Sport realmente estava nessa missão e não era apenas assuntos escapulidos do Sapotizeiro ou das colunas do Marcelino.

O nome que começou aparecer com bons indícios de realidade tinha todo o arsenal mencionado: ex-jogador da Seleção, grandes clubes do país e com carreira na Europa e até em outros países da América Latina, mesmo sendo um brasileiro. O jogador em questão era Leandro Machado, centroavante que havia deixado o Santos em 2004 para atuar no Olimpia do Paraguai, equipe que na época despontava com título da Libertadores e da Recopa nos dois anos anteriores, além de um Vice-Mundial.

Entre as primeiras notícias, perto do natal, até a oficialização, início de janeiro, Leandro Machado trouxe uma boa calmaria na pressão pela busca de um nome de peso em um setor considerado fundamental para os objetivos da temporada. Trajetória de sucesso por Internacional, Flamengo, Valência, Sporting Lisboa, Seleção, Dynamo Kiev, Tenerife. Olhar os seus DVD’s da época no Youtube, com vídeos e mais vídeos de dezenas de gols em seus anos anteriores na Coréia do Sul era um aperitivo e tanto.

“Grandeza do Clube, Fator Nelsinho e mentalidade”

Sempre falado por outros grandes clubes do país nas janelas de mercado, Leandro Machado vivia boa fase na Coréia do Sul: campeão, artilheiro. O interesse de voltar ao Brasil depois de deixar o Santos em 2004 existia, tais como as opções, principalmente do futebol carioca, por tudo que já havia feito no Flamengo. Mas o Sport o despertou, por três elementos: Grandeza, Nelsinho e mentalidade.

“Era o final de ano, já havia tido alguns contatos do Brasil, clubes do Rio e outros centros, mas meu procurador trouxe a ideia do Sport. Me chamou a atenção pela grandeza, força, a ciência de conhecer aquela torcida e ter a vontade de viver aquilo. Em seguida, entraram outras questões, sendo a principal delas o Nelsinho Baptista, que foi o meu treinador na época que realizei o sonho de ser convocado para a Seleção Brasileira. Isso teve um peso gigante. Para corroborar, também foi me passado de forma detalhada o projeto e a mentalidade do que seria buscado em 2008, aquele ano realmente não foi um acaso”, começou por lembrar o ex-camisa 9.

Estreia impactante com hat-trick que não deixou dúvidas

Conversando com Leandro Machado, os risos foram ao ar lembrando de como os roteiros de 2008 foram perfeitos. Se ainda existia alguma dúvida em relação a capacidade do jogador, elas foram completamente dizimadas na estreia do atleta como titular, atuando na Ilha do Retiro, em uma partida que ele lembra com uma clareza extrema.

“Nossa, aquele jogo. A minha primeira partida na Ilha, como titular, um 8 a 0 contra o Serrano, em um domingo a tarde. Muito bom. Em relação a roteiros, realmente não poderia ter sido melhor. Você chegar como novo centroavante da equipe e marcar três gols em um espaço de 15 minutos. Aquilo foi bom até para ganhar confiança, seguir o trabalho da melhor forma. Foi muito empolgante”.

Primeiro jogo de Leandro Machado como titular do Sport: Hat-trick em 15 minutos. (Foto: Arquivo GloboEsporte.com)

“Um elenco perfeito”

O casamento daquele elenco é mencionado por todos até hoje. Uma junção perfeita entre nomes de peso, com um comandante vitorioso, unidos a jogadores da região, tanto da base, como atletas locais de clubes menores do estado. Leandro Machado acredita que a fórmula do sucesso era muito nítida no dia a dia.

“A mescla era perfeita, com alguns meninos da base de muita qualidade, outros da região, que apareceram bem no Pernambucano e já estavam nas graças da torcida também do Brasileiro anterior. Juntamos isso com a experiência de outros atletas, com carreira consolidada, algumas até internacionais. Era um clima muito legal, todos leves, confortáveis para mostrar a qualidade que possuíam. Além de tudo, a personalidade deles tinha uma relação muito fidedigna ao perfil do Sport”.

Mencionado por Leandro Machado, o elenco do Leão era bem mesclado, com nomes experientes e vencedores e atletas da região. (Foto: Reprodução)

Gritamos um para o outro: “Vamos ser campeões”

Histórias inéditas são mais difíceis quando o tempo começa a andar e os personagens, com muita justiça, vão ganhando suas vozes e as lembrando. Puxando pelo trivial aspecto de algo marcante na concepção de Leandro Machado durante aquela campanha, ele trouxe um forte relato de vestiário, após o confronto contra o Palmeiras, terminado com goleada rubro-negra em 4 a 1 na Ilha do Retiro.

“O fechamento de roda depois de vencer o Palmeiras foi impressionante. Cada jogador começou a falar um pouco sobre o que aconteceu dentro do jogo e o Daniel passou a gritar que seríamos campeões da Copa do Brasil. Em um impulso coletivo, todos se olharam e começaram a repetir. Gritamos mesmo, confiantes, foi arrepiante. O estado de espírito depois daquilo ali é uma coisa que não se explica”.

Mensagem para torcida

Leandro Machado não aparece muito, apesar de ser um nome bastante festejado pela torcida do Sport. Tem um perfil pouco mais reservado, mas sempre que é procurado ou fala de sua trajetória profissional, gosta e faz questão de mencionar o período no Recife. O carinho é perceptível quando o ex-atacante, hoje aos 50 anos, fala do que o Leão significou em sua vida.

“Recordo o Sport até hoje. É um Clube muito especial na minha carreira, desde o início, na minha chegada, até os dias atuais, com mensagens diversas, felicitações, registram quando faço aniversário, sempre lembrando de mim. Acho que consegui mostrar em campo pelo que fui contratado e a forma que saí também foi um demonstrativo do quanto a instituição ficou no meu coração”, relata, sendo lembrado de sua saída, quando, por conta própria, abdicou de seu contrato vigente em função de uma cirurgia que teria que fazer e o deixaria fora de ação até o término do vínculo.

Imagem eternizada na Ilha. Leandro abre os braços e comemora o gol do título da Copa do Brasil. (Foto: Reprodução)

Osso duro de doer!

Bia tem grande marca na trajetória do Sport na Copa do Brasil de 2008. (Foto: Arquivo pessoal).

Quase que em um ruído automático, lembrar dos confrontos contra o Palmeiras naquela Copa do Brasil é lembrar do volante Bia. Os jogos frente aos paulistas na fase de oitavas de finais ditou, para a maioria, o que seria o desfecho daquela competição. A convicção de ser campeão começou a ser uma rotina.

Introduzindo brevemente, o Palmeiras era tratado como o time a ser batido no país, com maior investimento e números avassaladores no ano. Tinha também o atleta mais valorizado e falado no futebol nacional da época: o chileno Valdívia. Craque, refinado, mas que não conseguiu se achar com Bia.

Cria de Carpina, com infância difícil em comunidade e sem pai, o ex-volante rubro-negro viu no futebol uma chance de vencer na vida e isso era muito claro em suas ações dentro de campo. Furioso, de um modo positivo (desde que ele fosse do seu time), valente e aguerrido. Bia era tanto o Sport, que em sua trajetória, só colecionou coisas boas: acesso em 2006, bicampeonato pernambucano e Copa do Brasil. Vitorioso do V-O.

“O Sport foi um sonho de criança. A minha meta era jogar em um grande clube, vencer na vida depois de dificuldades na infância. Nunca desacreditei e lutei muito para chegar ali. Fiz um Pernambucano bom, tive várias situações, mas nem pensei duas vezes quando apareceu o convite do Clube. Consegui”, disse, em tom emotivo.

Ideia que nasceu um ano antes

Toda atenção de Nelsinho com Bia, que ganhou os jornais depois de “dominar” Valdívia e ajudar o Sport a superar o Palmeiras. (Foto: Arquivo Pessoal)

Jornalistas que acompanharam o Sport de forma próxima naquela época costumam abordar o quanto o treinador Nelsinho Baptista era perfeccionista e estudioso com tudo. E isso tem prova viva no caso de Bia em ação na Copa do Brasil. O volante foi uma escolha surpresa na escalação no duro jogo de ida em São Paulo, em uma ideia que brotou de um ano antes.

Por outra razão, além do cotidiano e confiança de Nelsinho em optar por Bia em relação a nomes com mais minutagem naquele momento, um ano antes, em 2007, pelo Brasileiro, o Sport venceu o Palmeiras no Palestra Itália por 2 a 1, atuando com dois jogadores a menos durante parte considerável do jogo. Resultado contextualmente expressivo que na época já gerou comentários do quanto o volante Bia, escolhido surpresa também de Geninho no dia, havia anulado o chileno. A estratégia foi relembrada, trabalhada, repetida e daria certo novamente!

“Foram embates memoráveis”

Sempre simpático e com a nostalgia íntima de tratar sobre um duelo que ele já foi e ainda é tanto pautado para falar sobre, Bia se diverte lembrando do jogo, das provocações e da forma que não deixou nem Valdívia e nem o meio de campo do Palmeiras funcionar naquela noite.

“O Palmeiras era o grande time da temporada até então, o Valdívia, o jogador da moda no Brasil. A orientação, resumidamente, era marcar o melhor jogador do país, mas eu sabia que estaria bem preparado, até pela confiança depositada por todos. Aquela noite foi um marco na minha carreira, assim como os meus anos no Sport. Embates memoráveis, muita provocação, mas com o nosso triunfo no fim”, relembrou.

Irreverente, mas brabo em campo! Bia era um dos atletas da região daquele grupo e atualmente cuida de um projeto social em sua comunidade, o “B5”. (Foto: Arquivo Pessoal)

Quintal de casa

Diogo, em sua foto “oficial” de apresentação, 2007.

Uma frase que marca como torcedor, em uma das várias revisões de pós-jogo daquela conquista, é quando alguém resumiu a atuação do lateral-direito Diogo na Ilha do Retiro como se ele estivesse entrado para jogar uma decisão daquele tamanho no quintal de sua casa. Tamanha a frieza e confiança demonstrada em campo naquela noite de quarta-feira.

Novamente o feeling de Nelsinho Baptista foi certeiro em surpreender na escalação e o ala sergipano, que estava no Sport desde o ano anterior vindo do Porto de Caruaru, não decepcionou. Pelo contrário. Destacou-se no jogo de um modo brutal, elegante. Participando bem na frente e sendo completamente sólido atrás.

“Os três te querem, escolhe aí”

Com várias rodadas, turnos robustos e vários adversários enfrentando-se o tempo todo, o Campeonato Pernambucano dava o repertório anual de jogadores que apareciam bastante e no final conseguiam o passo para uma equipe grande do estado. Hoje, isso ainda acontece, mas naquela época era mais comum. Diogo deu nas vistas do estado inteiro: torcidas, imprensa e clubes. No caso do Sport, chamou bastante a atenção do técnico Alexandre Gallo.

“Estava em Sergipe, minha terra natal, atuando na base do Confiança. Surgiu a possibilidade de jogar o Pernambucano pelo Porto e assinei um contrato de três anos. As coisas aconteceram muito rápido. A competição acabou e o José Porfírio, presidente do Porto, chegou para mim e o meu empresário com as três propostas na mesa: Sport, Náutico e Santa Cruz, me perguntando onde queria jogar. Escolhi o Sport”, rematou.

Confiança conquistada desde o início

Sergipano contratado do Porto de Caruaru, Diogo é outro grande personagem de 2008. (Foto: Reprodução)

Apesar de ser normal a quantidade de atletas contratados naquela época dentro do futebol local, não era fácil para um atleta chegar e já ter minutagem rápida. Tanto pela adaptação na mudança de realidade, quanto pelo regulamento, que permitiam as sempre bem estudadas três substituições. Mas Diogo foi diferente. Pelo que havia mostrado enquanto adversário e pela forma que chegou chegando nos treinos, ninguém duvidou.

“Minha escalação na final foi uma surpresa, mas eu já tinha um lastro legal desde o ano anterior, em que havia sido bastante utilizado na Série A de 2007. Isso teve uma importância grande. Cheguei e fui ficando em um time muito experiente, rodado, então juntou o fato de já estar acostumado com as rotinas de equipe, como também com a tranquilidade que essa turma conseguia me passar para mostrar o meu futebol”, lembra.

“Aperto no coração… até a bola começar a rolar”

Diogo, em duelo do Brasileiro de 2007. (Foto: Arquivo Pessoal)

Nos bastidores da escalação para aquela final, Diogo lembra até do barulho que a porta fez um pouco antes dos jogadores se organizarem para ir à preleção da final. No quarto com Carlinhos Bala, o jogador recebeu o treinador Nelsinho Baptista, que comunicou que ele iniciaria o jogo contra o Corinthians.

“Tinha sido testado para o primeiro jogo da final, entrando no time durante os treinos, mas acabei não sendo acionado naquela partida. Então, foi uma surpresa quando o professor chegou no quarto e avisou, já no dia do jogo. Durante a preleção, todo mundo ficou surpreso também, mas com muito apoio. Deu aquele aperto no coração na hora, no entanto, com o Nelsinho passando tranquilidade e a bola rolando, as coisas fluíram de um modo muito natural”.

Amizade com Carlinhos Bala e Sport na veia

A participação especial de Carlinhos Bala na história da confirmação da entrada no time titular daquela final é só uma das várias histórias com o ídolo do Leão. Já afirmado no Clube e no futebol brasileiro, Bala guardou Diogo com carinho desde o início, sendo um companheiro crucial no seu processo de adaptação tão fácil, como na vida até hoje.

“O Bala virou um irmão, é um cara que eu frequento a casa dele e ele a minha, as nossas famílias se gostam, conheço os pais dele, ele os meus. Há outros, como Bia, o Éverton, Dutra. A turma que a gente não consegue tanto contato, volta e meia também trocamos mensagens por aplicativos, é sempre legal”.

Sobre o Leão, a gratidão do menino de Sergipe que ganhou o Brasil. Literalmente.

“Costumo reafirmar o quanto sou grato ao Sport por tudo que o Clube fez por mim. Desde o primeiro momento, sendo recebido pelo Gallo, até tudo aconteceu depois, com títulos e momentos felizes. Minha torcida será sempre por esta instituição. Vou ser Sport sempre. Foi o que me fez chegar onde cheguei, com casa para os meus pais, carro, uma vida melhor”, encerrou Diogo.

Atualmente, Diogo vive no Recife e tem um negócio bem-sucedido com vendas de gás em áreas de Pernambuco.

Cravado na história: O título assinado em LH

O cara. Aquele que pega a bola, põe embaixo do braço e resolve. Em um time tão completo e forte, os destaques do Sport eram sumariamente coletivos, ainda que com destaques individuais que sobressaíam. Romerito, Carlinhos Bala. A categoria e destreza de uma zaga que parecia flutuar em cima de seus oponentes. A ofensividade de Dutra e a eficiência da bola parada de Luizinho. A segurança e bom trato com bola dos volantes, a experiência e classe de Leandro Machado, com a energia de Enílton e a juventude de Roger.

Neste núcleo robusto, Luciano Henrique era um jogador de confiança e prestígio entre todos, mas com uma devoção além do comum nos ditos jogos grandes. Ele era bom sempre, mas em decisão conseguia crescer ainda mais. No placar da decisão, 2 a 0, com gol e assistência para o camisa 10 daquela emblemática noite.

“Foram duas chegadas ao Sport, em 2007  e em 2008. A primeira com o Gallo, que me levou do Atlético Sorocaba para o Santos e logo em seguida fez de tudo para contar comigo no Japão, quando eu atuava na Coréia do Sul. Gostava do meu futebol, me conhecia e quando retornou falando do projeto de voltar ao Brasil para atuar em Recife eu aceitei com muita alegria. Um primeiro semestre lindo, jogando, sendo campeão estadual, dominando tudo. Acabou que saí no meio do empréstimo, por força contratual e novamente com ele envolvido (ida ao Internacional), mas sempre deixei claro o interesse de ter ficado”, iniciou Luciano.

A postura do atleta na saída para o Internacional, condicionada bem mais questões contratuais de um vínculo com o Santos do que por vontade própria, fez com que a diretoria não ignorasse o seu nome meses depois, sem deixar de aproveitar a chance de trazê-lo para o ciclo de uma nova temporada, tendo o aval de Nelsinho Baptista desta vez.

“Eu deixei o o Sport querendo permanecer, mesmo também chegando em um grande clube, que era o caso do Inter naquele momento. O ano virou e novamente tive a felicidade de ser contactado pelo Álvaro Figueira, diretor da época. Mostrou o interesse em comum, o projeto, nos reunimos em São Paulo e conseguimos definir um retorno bem comemorado. Eu nunca nem havia jogado contra equipes do Recife, então foi uma mudança de realidade e uma surpresa bem positiva, o calor da torcida, pressão e a grandeza da instituição”.

Escanteio, rebote na entrada da área, chute armado, bola no ar. Aquele momento! (Foto: Reprodução)

“O Clube da minha vida”

Natural de Tremembé, São Paulo, Luciano Henrique despontou no tradicional Atlético de Sorocaba, destacando-se em um contexto difícil, em briga por manutenção no Campeonato Paulista de 2005, mas com números que o fizeram ser pretendido por grandes times, chegando a culminar o acerto com o Santos, em que teve bom momento pessoal sob o comando de Luxemburgo, técnico também com passagem pelo Leão. O meia, insinuante, habilidoso e inteligente, desembarcou na Ilha do Retiro para fincar uma raiz que ele mesmo admite guardar de forma eterna.

“Joguei futebol profissionalmente até os 34 anos e o Sport é o Clube que mais fez parte da minha vida, tanto no aspecto da carreira, quanto no lado pessoal. Mais títulos em quantidade, representatividade, peso, toda trajetória me deixa extremamente feliz e orgulhoso. Foi o time que eu mais me identifiquei e o sentimento pela torcida, camisa, é algo que guardarei para sempre”, admitiu o ex-meia.

Éverton, Bia e César Lucena

O carinho pelo Sport também é marcado por amizades da época que são mantidas até hoje. Segundo Luciano Henrique, o elenco era ponta firme em todos os seus eixos, mas o seu grupo mais próximo de amigos refletia bastante sobre a heterogeneidade daquele time: dois pernambucanos e dois paulistas. 

“Eu, Éverton, Bia, o César, ficávamos juntos o tempo todo, antes dos treinos, depois, Fizemos uma amizade que se arrasta até hoje. Estive no Recife ano passado e pude abraçá-los, conhecer o projeto do Bia, foi bem especial. Com o restante dos atletas também há imenso respeito e confraternidade. O tempo passa, os contatos vão passando, mas a saudade é sempre enorme”, confessa.

Luciano Henrique e César Lucena são grandes amigos até hoje. (Foto: arquivo pessoal)

“Apedrejaram o ônibus, ninguém machucou e comemoramos; era a hora de vencer a guerra”

Relatar um bastidor da Copa do Brasil para Luciano Henrique traz várias nostalgias, mas a escolha que mais marcou o meia-atacante foi a tensão vivida no trajeto para o Estádio São Januário. O Sport havia vencido o Vasco na Ilha por 2 a 0 e fazia a partida de volta no campo dos cariocas. Desafio que já era difícil o bastante pela carga de uma semifinal frente um grande adversário, mas que ganhou ainda mais corpo por tudo que rolou até a chegada ao palco do confronto.

“Histórias boas, a grande maioria mais felizes, outras de dificuldades, mas pesando tudo, São Januário marcou muito. Nos aproximamos do Estádio e começamos a ter que baixar cortina, as pedras batiam e iam quebrando os vidros, momento de tensão que deixou todo mundo assustado. Mas a reviravolta foi quando enfim acessamos o Estádio, todos se olharam sem machucado e começamos a vibrar. Entendemos que era uma guerra e começamos a falar que iríamos vencê-la”. Luciano Henrique e seus companheiros realmente venceram aquela longa batalha, que além da dificuldade na chegada ao campo, também contou com portões fechados e espaço improvisado para o aquecimento.

Intimidade com as decisões e o legado de uma noite eterna

Além de gol e assistência na final da Copa do Brasil, Luciano Henrique também foi o cara do gol do título estadual em 2007, contando sempre com momentos de peso quando a pressão estava no ar e o time precisava encontrar respostas. Ele demonstra noção do peso que possuiu no Sport, sem esconder o orgulho dos feitos.

“Eu sempre tive isso dentro de mim, o foco, autocontrole, aquela coisa a mais que os jogos decisivos te exigem. No Sport isso foi bem evidenciado e consegui ter esse reconhecimento. Fazer parte das páginas de um Clube deste tamanho, com uma torcida assim, representando também o título de uma região enorme, realmente me deixa muito orgulhoso. Foi o jogo mais importante da minha vida“.

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