Uma nação inteira está de luto. Com enorme tristeza e pesar, o Sport Club do Recife recebeu a notícia do falecimento de Dona Maria, símbolo e ilustre torcedora do Leão. Ela nos deixou na manhã deste domingo (10), vítima de múltiplas falências dos órgãos. A icônica rubro-negra tinha 98 anos. A partir de agora, segue para sempre nos nossos corações.

Dona Maria foi um sinônimo de garra, luta e representatividade durante a sua trajetória de vida – adjetivos, por sua vez, que aplicam-se ao que é e o que caracteriza o Sport. E o entrelaço das histórias da torcedora e do Clube não é mera coincidência.

Nascida em Nazaré da Mata, Zona da Mata Norte de Pernambuco, Dona Maria foi abandonada pelos pais e cresceu sob dificuldade. Órfã e pobre, viveu maus tratos, como violência física e racismo, até deixar o município rumo a Carpina.

Por lá, Dona Maria buscou um recomeço, mas viveu novos desapontamentos: explorada enquanto empregada doméstica e passada para trás na tentativa de construir a própria casa. Foi em Carpina, no entanto, que ela ouviu falar pela primeira vez do Sport.

“Sempre gostei de futebol e minhas amigas falaram que no Recife tinha um time de futebol, o Sport. Fiquei empolgada porque queria conhecer esse time de qualquer jeito”, disse em entrevista ao Diario de Pernambuco. Tanto é que esse foi um dos motivos pelo qual ela escolheu a capital pernambucana para novo recomeço.

Já no Recife ficou mais fácil para a torcedora conhecer o Sport, algo que ocorreu na década de 1950. E foi amor à primeira vista. “Quando vi a camisa vermelha e preta meus olhos brilharam. Ainda tentaram mudar minha opinião dizendo que o Leão era um animal mau, mas eu não quis nem saber: naquele momento eu era Sport”, afirmou em entrevista ao Jornal do Commercio.

O Leão, inclusive, serviu de inspiração para Dona Maria, que o via com ótica diferente à que disseram-lhe ao tentar dissuadi-la de torcer pelo Sport: era sinônimo de garra e bravura – assim como ela. Características que a torcedora absorveu e utilizou como estímulo para sempre seguir. E conseguiu.

Na capital pernambucana, ela enfim foi tratada com acolhimento e dignidade. Ao mesmo passo, pôde tornar-se figura frequente na Ilha do Retiro, vestida de vermelho e preto da cabeça aos pés, acompanhada de uma característica sombrinha das mesmas cores – inicialmente para proteger do sol, em seguida para abrilhantar ainda mais o seu frevo.

“Eu fiquei impressionada com o campo cheio, todo mundo de vermelho e preto gritando. Eu pensei: aqui é meu lugar, quero voltar pra casa mais não”, relembrou ao Jornal do Commercio.

Assim, Dona Maria tornou-se um símbolo e caminhou a passos largos para se tornar uma das mais ilustres, irreverentes e fervorosas torcedoras do Sport, dona de uma autenticidade, identificação e paixão únicas. Virou uma unanimidade e adorada por todos. Em 2019, inclusive, tornou-se sócia benemérita, principal condecoração do Clube.

Em entrevista recente ao Globo Esporte, ela disse que só deixaria o Sport quando viesse a falecer. Mas certamente nem assim essa separação ocorrerá: o legado de Dona Maria permanecerá para sempre no Clube, como um exemplo de garra e amor, que eternamente servirá de exemplo e inspiração às gerações que fazem a nossa história.

Obrigado por tanto amor e pelo símbolo que eternamente serás, Dona Maria. Descanse em paz.