Ao fim do biênio 19/20, gestão Milton Bivar apresenta a prestação de contas daquilo que foi feito durante o período. Para dar início, foram divulgados os números de dívidas pagas nesses dois anos. Valor total ultrapassa os R$ 40 milhões.

Quando se iniciou um dos anos mais difíceis da história do Sport Club do Recife, o prognóstico era que o Clube tivesse ainda mais dificuldades, uma vez que a crise econômica que assolou o país estaria sendo ainda mais cruel com o Leão, que em 2018 fechou o ano com mais de R$ 200 milhões em dívidas, três contas de energia atrasadas e cinco folhas em atraso (administrativo e futebol). Além disso, o Sport corria o risco de perder na justiça todos os atletas (base e profissional) que possuíamos vínculo. No entanto, os resultados foram outros, não apenas dentro de campo, como também fora dele.

De acordo com levantamento feito pelo departamento jurídico do Sport, no biênio que se encerra foram pagos cerca de R$ 40 milhões em dívidas. Retenção para Justiça do Trabalho, acordos trabalhistas, acordos na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), quitação de adiantamento de cotas de TV, acordos com fornecedores e, principalmente, austeridade na aquisição de produtos e serviços. Esses foram os caminhos seguidos pela administração do clube em um período de pandemia e de extrema dificuldade econômica no Brasil e no mundo.

COTAS DE TV ADIANTADAS FORAM ZERADAS

Em gestões anteriores, o Sport adiantou as cotas de televisão que deveriam ser pagas nos anos de 2019 e 2020, esses adiantamentos chegaram ao montante de R$18 milhões, e deveriam ser pagos em duas parcelas de R$9 milhões cada, a primeira em 2019 e a segunda em 2020. O acordo feito pela gestão atual do Leão conseguiu parcelar a dívida de forma diferente, tendo sido pagos R$2 milhões na série B de 2019, e o saldo de R$16 milhões durante a Séria A de 2020, valores que agora estão integralmente pagos, assim como nenhum valor foi adiantado junto à emissora detentora dos direitos de transmissão. Portanto, para o próximo campeonato brasileiro da primeira divisão, o Sport terá zero de desconto de suas receitas, uma grande vitória da gestão.

JUSTIÇA DO TRABALHO

No período de 2016 a 2018, o Sport foi alvo de inúmeros processos trabalhistas. Essas causas prejudicam até hoje as contas do Clube. Contudo, a partir de 2019 a gestão passou a recolher para a Justiça do Trabalho parte de suas receitas, acordo que não estava sendo cumprido nas gestões anteriores. O recolhimento acordado com o Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, voltou a ser respeitado e passou a amortizar parte das dívidas trabalhistas.

Além disso, passaram a ser feitos alguns parcelamentos, acordos e negociações pontuais com atletas, procuradores, empresários, funcionários e outros, tendo sido este o caminho seguido pela diretoria do clube para gradativamente diminuir nosso milionário passivo. Esse caminho vem se mostrando correto e os números são impressionantes, posto que hoje além de vários acordos e parcelamentos pagos (conferir abaixo), o Sport dispõe de um “caixa” na Justiça do Trabalho de cerca de R$9 milhões.

O que isso significa? Significa dizer que além de sanar uma série de débitos de gestões passadas, a atual gestão conseguiu a proeza de angariar um fundo para futuros acordos ou processos de cerca R$ 9 milhões. Tudo fruto de muito trabalho, competência e “pé no chão” ao gastar menos do que arrecada, fazendo com que o que sobra seja utilizado para amortizar as dívidas.

ACORDOS EXTRAJUDICIAIS COM JOGADORES

O Sport entrou em acordo de parcelamento e, inclusive, quitou uma série de débitos com jogadores, agentes, empresários e mecanismos de solidariedade deixados por gestões anteriores. Os valores dessas negociações chegam a cerca de R$ 11 milhões. Entre os nomes que entraram em acordo com o Sport estão: Mark Gonzales (quitado), Durval (em andamento), Deivid (em andamento), Agenor (em andamento), Magrão (em andamento), Diego Felipe (Oleiros POR – quitado). Além desses casos, também foram feitos acordos com o Atlético Mineiro (referente ao atacante André) e a quitação de valores junto ao empresário de Rithely.

Além de negociações com jogadores que também foram sanadas com Rogério, Jair, Reinaldo Lenis e Mateus Gonçalves. Todos débitos de outras gestões, sanados com orçamento desta gestão.

OUTROS CUSTOS

Além dos custos apresentados acima, o Leão sanou também uma série de dívidas com fornecedores. Contratos que estavam atrasados e parcerias que foram encerradas ou substituídas por outras empresas e parceiros. Um exemplo foi a parceria com a empresa que faz a manutenção do gramado, que hoje é terceirizada e vêm apresentando um excelente trabalho.

Os valores e empresas não terão seus nomes e valores revelados por conta de comprometimento ético da administração do Clube com essas empresas e marcas. Uma vez que algumas situações os contratos foram substituídos não por questão de qualidade da prestação, mas sim, pelos valores envolvidos. Sendo assim, por questões de ética de mercado, os nomes e valores não serão divulgados. Mas, estarão no balanço financeiro do Clube, que é disponível para os sócios do Clube.

COMPOSIÇÕES PENDENTES

Por fim, como acordos pendentes, ainda existem dois: O primeiro referente à dívida de R$6 milhões com o Sporting de Lisboa referente à compra do atacante André em 2017, cujo acordo deve ser concluído agora com o fim do campeonato brasileiro, já estando parte do valor devido pelo Sport à disposição da CBF.

O segundo, e principal, se refere à transação fiscal de todos os débitos do Clube com o Governo Federal, que será a compilação de mais de sete acordos antigos inadimplentes, todos reunidos em uma só composição, o valor do parcelamento chega a cerca de R$90 milhões, ainda não tendo sido formalizado por ter valor de parcela elevado. Mas agora com a permanência na Série A, o objetivo é que se possa finalizar o acordo, e assim, manter o compromisso da gestão de austeridade e responsabilidade com as finanças do clube, sendo dever da gestão dar ao associado um Sport em condições financeiras melhores do que o Clube foi submetido no início de 2019.

VALORES PAGOS NO BIÊNIO (19/20)

ANTECIPAÇÕES DE COTAS TV – R$ 18 MILHÕES
VALORES RETIDOS NA 12ª VARA DA JUSTIÇA DO TRABALHO – R$ 9 MILHÕES
PARCELAMENTOS E ACORDOS DIRETOS COM EX-ATLETAS – R$ 11 MILHÕES
FOLHAS ATRASADAS 2018 – R$ 2 MILHÕES
CONTAS ENERGIA ATRASADAS 2018 – R$ 300 MIL
TOTAL: R$ 40,3 MILHÕES