O presidente do Sport, Arnaldo Barros, concedeu entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (23), no auditório da Ilha do Retiro. Por quase duas horas, o mandatário esmiuçou temas que envolvem a gestão do Clube e do futebol rubro-negro. Em vários momentos, apresentou documentos e contratos para amparar as suas afirmações. O material foi disponibilizado à imprensa.

Confira os principais temas abordados

Situação financeira do Clube
“O Sport enfrenta dificuldades financeiras, como qualquer outro clube do Brasil. Você conta em menos de cinco dedos os times que não estão passando por dificuldades no Brasil, e não é por conta de gestão, e sim por conta do momento econômico que foi vivenciado ano passado e nesse ano no País. Ano passado ainda tinha algum fôlego por conta dos acordos com a TV, que permitiram com que os clubes tivessem um caixa relativamente saudável. Mas essas dificuldades não são de hoje. Já vínhamos fazendo das tripas coração e honrando com os compromissos. Com muito sacrifício, empenho e trabalho, estamos caminhando com o barco. Agora, não é verdade o que estão dizendo que o Sport antecipou valores até 2024. Isso nem estatutariamente é permitido. O compromisso que nós temos vai ser sanado em 2018. Não há possibilidade desse adiantamento perdurar no próximo ano”

Ações trabalhistas
“Falou-se também que o Sport tinha várias ações trabalhistas. Estou com a certidão da Justiça do Trabalho. O Sport tem hoje no total 84 reclamações trabalhistas. Iniciei o mandato com as 89 ações trabalhistas. Foram ajuizadas 17 reclamações, nós resolvemos 23. Caiu pra 83. Esse ano foi ajuizada uma reclamação. Temos no total 84 reclamações em tramitação. O que não quer dizer que essas reclamações sejam das gestões Martorelli e Arnaldo. Dessas reclamações nós tivemos seis ações com atletas profissionais, o restante é da parte administrativa. Foi veiculado também que o CT estaria a perigo de ser penhorado por débitos trabalhistas. Estou com a certidão negativa, tirada hoje, com o passivo que o Sport tem e teve. O que acontece é que estamos num ano eleitoral, para o Sport e na política”

Wesley e Marquinhos
“Eu trouxe para vocês um relatório das reclamações trabalhistas de 2015 até hoje. E não existem essas desses determinados jogadores. Não estou dizendo que as reclamações não existem, mas que não chegaram a nós, não fomos notificados. Quando recebermos, se recebermos, vamos dar o tratamento normal de qualquer reclamação”

Atraso de salários com o elenco
“Tínhamos dos atletas até a semana passada, uma folha atrasada e os funcionários em momento algum houve atraso. Agora se você me pergunta outros tipos de remuneração, e aí vem imagem, que são contratadas com empresas que detém os direitos com as imagens dos atletas, temos (atraso). O 13º dos atletas também está atrasado, fizemos uma proposta para pagamentos”

Copa do Nordeste
“Eu não fui convidado, nem sequer conheço o regulamento da Copa do Nordeste. O Sport não é da liga, não é da Copa do Nordeste. Não recebi nenhum ofício, ainda que um jornalista tenha postado que o presidente Arnaldo Barros recebeu ofício da CBF. Não recebi. Expliquei porque sai e não me arrependo. E agora outros estão chegando à mesma conclusão. De que há efetivamente duas inviabilidades, uma financeira e a outra desportiva. Assistimos o Náutico e o Santa tendo que jogar quatro jogos em dez dias ou coisa parecida. A CBF e o sindicatos do…

Saídas de André, Diego Souza e Rithely
“Claro que não agradou. Nós trouxemos o atleta (André), fizemos o maior investimento da história do clube. Ele teve um início conturbado, nós seguramos, ele se recuperou, porque é talentoso, se esforçou e fez um grande campeonato, se destacou. Agora não completa nem um ano de clube e diz que não quer ficar, depois de assinar contrato de cinco anos. Aí eu pergunto: É um erro fazer contrato longo? Eu tenho que ter prazo para tirar esse investimento desportivamente ou numa possível venda. O que nós não esperávamos era a postura que ele teve, de não entender que vale muito mais do que foi oferecido. Diego Souza, por exemplo, teve essa compreensão, quando o Palmeiras veio buscar ele no meio do ano. Agora que ele saiu eu posso dizer, a multa de Diego Souza era de 90 milhões de reais para o Brasil e 60 milhões de Euros. Disseram que era 1,6 milhão, se fosse isso já teriam pago. A multa é uma ferramenta de proteção. Mas é claro que é invendável por esses valores. Outra coisa, Rithely disse que eu prometi vendê-lo, mas eu disse por um valor justo. Não posso vender pela primeira proposta que chegar. Falaram por aí que chegaram propostas extraordinárias por ele e não vendemos. Qual foi a proposta? Estão repetindo discurso de empresário. Sobre André, ele vale muito mais que isso. Só que a postura dele nos levou a fazer esse negócio, o que foi ruim. Depois da demonstração de interesse por causa do grêmio, antes foi espetacular. Um líder dentro de campo, comprometido. Depois passou a ter uma postura verdadeira, mas condenável. Disse que não queria mais jogar e eu tive que tomar atitudes dentro da lei”

Dinheiro da venda de Diego Souza
“Nós recebemos algum valor de entrada sim, isso nos possibilitou dar uma saneada no clube. Estou com o contrato assinado com o São Paulo em mãos e aqui está dito que o Sport está vendendo a parte dele, e que as partes acordam ainda na cláusula do preço e forma de pagamento que o valor devido ao Fluminense será de responsabilidade do São Paulo Futebol Clube. É por isso que nós temos confiança de que esses recursos virão para o Sport integralmente. O Sport recebeu a primeira parcela, e tinha outra parcela para o dia 24 de fevereiro. Uma semana antes quando houve esse burburinho eu telefonei e o São Paulo nos assegurou que depositaria a parcela para o Sport. Ficamos tranquilos, mas até depois por conta da dificuldade financeira que me passaram que estão passando, resolveram depositar em juízo, e o valor daquela parcela ficou retido. Nós entramos com um agravo de instrumento para que seja liberada essa parcela em favor do Sport. Mas a responsabilidade de pagar ao Fluminense é do São Paulo e não do Sport”

Relação com os jogadores
“Veja a contradição: os jogadores são mimados; se eu mimo como saem magoados comigo, segundo o noticiário? Não existe isso. Eu trato com respeito, como todas as pessoas com que me relaciono. Os jogadores eram tratados com respeito e com durezas também, quando necessário. Agora não preciso dar pontapé em porta para ser respeitado. Eu tenho conversas francas, rudes, até olho no olho, mas com respeito”

Formação do elenco
“A minha administração, assim como a de Martorelli, é profissional e nós contratamos profissionais para que eles desenvolvam as respectivas especialidades. Então agora que credenciamos o vice-presidente de futebol Guilherme Beltrão, o que nós imaginamos é corrigir algumas coisas que precisam, para reforçar. Mas também entendemos que não estamos diante de uma terra arrasada. Temos problemas, mas há sim condições de prepararmos um time competitivo para agregar novos e pontuais reforços”

Arrependimento de algo
“Devo ter me arrependido, sou humano e erro como todo mundo. Seguramente no que tem respeito às decisões importantes que envolvem o clube não tenho arrependimento algum. Certa vez, na última entrevista abordando o fato de o Sport ter sido campeão pernambucano em todas as esferas do futebol profissional, amador e feminino, eu disse que Pernambuco é pequeno para o Sport e fui mal interpretado. Falei naquela determinada ocasião, mas hoje eu não repetiria, se imaginasse que teria essa repercussão. Fui interpretado como se tivesse sido arrogante, desprezando os rivais. Mas seria interessante que essa pergunta fosse feita aos dirigentes de Santa e Náutico… se o Sport os ajudou, lutou por eles, para que tivessem recursos melhores, recebimento de valores”

Metas no Brasileiro
“Eu acho que a gente precisa de um time competitivo. Em dada ocasião, o presidente Martorelli chegou aqui e disse que ia para a Libertadores. E foi muito criticado. Se disser que a meta é a permanência na Série A, ia ser criticado por pensar pequeno. Eu cai nessa mesma esparrela ano passado, coloquei um objetivo audacioso, para encher de motivação, e fui criticado da mesma maneira. Então, você não pode fazer com prognóstico, ou falar pela instituição, porque não vai ser bem interpretado. Eu quero ser campeão brasileiro, ir para a Libertadores, como bom rubro-negro. Temos é que ter um time competitivo para que nós possamos ir o mais longe possível no Brasileiro. O lugar do Sport não é brigando pra não cair. Esse não é o lugar do Sport. Quero ir mais além do que for possível, com atletas que depositem sangue, suor, e lágrimas dentro de campo para trazer os resultados”

Eleição
“Minha preocupação é resgatar o time, a crença, a confiança, fazer esse time voltar a dar orgulho à torcida. Não estou preocupado com eleição, ainda é muito cedo. Tem gente preocupado com eleição desde o dia seguinte à eleição passada, mas eu não. Meu foco agora é o presente”

Recado ao torcedor
“Estamos passando por uma situação altamente desconfortável, inaceitável, que desagrada a todos nós. Lembro o seguinte: em 2014 o Sport estava praticamente eliminado da Copa do Nordeste. Conseguiu contornar e foi campeão da Copa do NE, uma semana depois, campeão do Pernambucano. Ascendeu à euforia de todos. Entramos no Brasileiro, fizemos uma campanha razoável, passamos oito rodadas sem vencer e todo mundo queria a cabeça de Eduardo Baptista. No final, chegamos em 10º, no ano que estávamos voltando à Série A e conseguimos a vaga na Sula. Em 2015 aconteceu o que está acontecendo agora. A mesma insatisfação, a mesma comoção de agora, após as eliminações no primeiro semestre. A gente entrou no campeonato desacreditado e chegou em sexto colocado, mesmo depois de passar 11 partidas sem vencer. O torcedor do Sport se fortalece na adversidade, claro que não gosto de estar na adversidade, mas às vezes é necessário enfrentar obstáculos e nós como rubro-negros somos fortes no enfrentamento das dificuldades. Eu espero tal como já aconteceu, que tenhamos uma situação bem mais honrosa em relação ao Sport no que diz respeito ao futebol no final do ano”